Nova NR-1: Vale a pena apostar na postergação?
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A entrada em vigor da nova redação da NR-1 marcou um momento decisivo para a gestão de Saúde e Segurança do Trabalho (SST) nas organizações brasileiras. A norma, que estabelece as disposições gerais e o gerenciamento de riscos ocupacionais, reforça a necessidade de uma abordagem sistemática, integrada e baseada em evidências, ampliando a responsabilidade das empresas na identificação, avaliação e controle dos riscos psicossociais.
Embora debates sobre ajustes e prazos ainda ocorram, a possibilidade de um novo adiamento da possibilidade de fiscalização é considerada baixa, embora entidades como a CNI (Confederação Nacional das Indústrias) estejam se movimentando nesse sentido.
O Brasil registrou recordes em afastamentos gerais e em afastamentos por saúde ocupacional em 2024. E em 2025 o recorde foi superado novamente, com 4 Milhões de afastamentos, dos quais 546.000 por saúde mental. Os números somados dos casos de ansiedade e depressão já representam a segunda maior causa de afastamentos, só perdendo para os problemas de coluna.
Esse cenário pressiona o poder público a adotar medidas mais estruturantes e duradouras. Além disso, o contexto de ano político tende a reforçar a manutenção de normas que dialoguem com a agenda social e com a proteção à saúde do trabalhador, tornando improvável qualquer movimento de retrocesso regulatório no curto prazo.
Diante desse panorama, as empresas não devem adotar postura reativa. A implementação da NR-1 exige um projeto estruturado, com diagnóstico técnico, definição de responsabilidades, revisão de processos, capacitação de lideranças e integração com áreas como RH, jurídico e compliance. Não se trata apenas de cumprir uma exigência legal, mas de incorporar a gestão de riscos ao planejamento estratégico do negócio.
Os riscos da não implementação são relevantes. Além de autuações, multas e passivos trabalhistas, há impactos reputacionais e aumento de custos decorrentes de afastamentos, queda de produtividade e rotatividade. Organizações que negligenciam essa agenda também se tornam menos atrativas para investidores e talentos, especialmente em um ambiente cada vez mais orientado por critérios ESG.
Mais do que uma obrigação normativa, a NR-1 representa uma oportunidade de fortalecimento da governança e de construção de ambientes de trabalho mais seguros, saudáveis e sustentáveis.




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